01/12/2019

Depoimento - mês de dezembro

José Evilázio Vieira, 71 anos, Lagarto/SE

Depoimento - mês de dezembro

Por quase 20 anos fui responsável pela Fazenda de Lagarto/SE. Em 2009, por conta de minha atuação como formador e psicanalista, minha família foi convidada a morar em Guaratinguetá/SP, para auxiliar na formação dos acolhidos da Fazenda.

No dia 13 de março de 2017, pela manhã, voltando para casa de um atendimento, tive uma baixa na minha taxa de açúcar, capotei o carro e me vi sem nehum movimento. Alí começou uma nova e belíssima experiência, segundo a vontade de Deus.

Claro que a vontade de Deus para mim está além do capotamento, mas se expressa numa relação maior com Ele, no chamado de uma vivência de esperança e descobertas maravilhosas. Posso dizer que este tempo que vivo na cadeira de rodas é um tempo frutífero, de profundas experiências e descobertas de quanto sou amado por Deus. Tem pontos que definem essa experiência que faço como um divisor de águas. Um deles foi quando fizemos o exame.

O médico disse que eu não tinha chance de sobreviver, porque das sete vértebras do pescoço, nas cervicais, eu estraguei cinco, ou seja, apenas duas, a primeira e a segunda, ficaram intactas. O primeiro recado dado à minha esposa foi que ela se preparasse para ficar viúva. Três dias depois do acidente, foi feita a primeira operação e um médico amigo que veio me visitar percebeu que a operação não terminava ali com aquela primeira intervenção, mas precisaria de uma segunda para tratar de mais três vértebras. Este médico, ao se deparar com a situação, falou de novo que a chance que eu tinha de sobreviver era de 1%. Era o início de uma vida nova, uma opção de confiança, de relacionamento. Uma opção muito mais profunda de viver a vontade de Deus e de me colocar definitivamente no momento presente. E percebi isso claramente no leito da UTI.

O que me confortou muito, foi a expressão do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes. Ele disse que o Papa João XXIII tinha como missão pessoal os doentes que estavam nos hospitais, dizendo que o leito é o altar do doente, uma hóstia viva para as missões. Confesso que me sentia essa hóstia viva para as missões!

Coincidentemente, o Frei Hans partia para a Europa com 40 jovens missionários. Eu me sentia profundamente dentro daquela missão, via como estava vivo e atuante naquele modo de levarmos ao mundo a esperança. Uma situação que me encantou muito foi uma criança que, após assistir a missa na Alemanha, entregou para Frei Hans sua mesada para ajudar a construir uma casa adaptada às minhas necessidades como tetraplégico. Recebi todo acolhimento de um povo num momento tão grande e divino. Quantos frutos!

Não sei o que tenho para dar, mas o que vem na minha alma é que não tenho nem ouro e nem prata, mas o desejo enorme de entregar meu sofrimento por amor à causa. Sei o quanto é profundo, porque é Ele quem faz. Não é discurso bonito. Isso acabou! Mas é a fragilidade humana a serviço de algo que só Ele sabe. A descoberta de amor que tenho é algo inexplicável, e este amor alimenta uma profunda esperança de levar ao mundo o conforto aos que necessitam também desta presença de Deus. No meu leito, Deus me sonda, quer acordado, quer dormindo, não importa. Ele me quer e me ama infinitamente!

 

 

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