22/10/2021

Hoje é celebrada Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da Fazenda no Piauí

Saiba como a Fazenda da Esperança chegou em Itainópolis, no Piauí, e a história de sua padroeira Nossa Senhora dos Remédios

Hoje é celebrada Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da Fazenda no Piauí

A unidade é fruto do desejo do então bispo da diocese de Picos-PI, D. Plínio José L. da Silva, que pelo expressivo trabalho do Grupo Esperança Viva na sua cidade, teve o desejo de implantar uma unidade da Fazenda da Esperança.

No ano de 2010, ele sentia a necessidade de dar uma resposta concreta ao problema das drogas em sua diocese. Ao ver os sinais evidentes de esperança ao acompanhar os resultados obtidos nas Fazendas e nos Grupos Esperança Viva ofereceu em doação uma propriedade da diocese, localizada no município de Itainópolis, a 40 km da cidade de Picos, com aproximadamente 111 hectares.

Após análise da área pelo responsável regional juntamente com a presidência geral da Fazenda, a doação foi aprovada e iniciada a implantação da unidade.

A devoção a Nossa Senhora, sob o título dos Remédios (ou Bom Remédio, do Remédio), começou com São João de Matha, fundador na Ordem da Santíssima Trindade, e morto em Roma em 17 de dezembro de 1213. Com o objetivo de resgatar os cristãos escravizados na África e no Oriente Médio, São João da Mata e São Felix de Valois fundaram em 1198 a Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade. Precisavam, para isso, de vultosas somas em dinheiro. Recorreram, então, ao auxílio de Maria Santíssima, o remédio para todas as necessidades que encontramos na vida. Foram abundantemente atendidos e conseguiram libertar da escravidão milhares de irmãos na Fé.

 Na linguagem medieval, os verbos “redímere” e “remediare” e os substantivos “redémptio” e “remédium”, tinham um significado similar: redimir, resgatar, resgate, remédio (com o sentido de salvação, libertação). Isto explica porque, nos escritos dos séculos XVI-XVII, se dão a padroeira os três títulos: “do Remédio”, “do Resgate”, “da Libertação”.

 A representação mais antiga hoje conservada é uma imagem românica, que pertenceu à primeira casa dos trinitários em Marselha: a Virgem está sentada, com o Menino no braço esquerdo e com a bolsa de dinheiro no direito. A bolsa alude, como relatam muitos biógrafos, à aparição e ao socorro dado por Nossa Senhora a São João de Matha, em Túnis e em Valência (Espanha). São João de Matha estava sendo atormentado pelos muçulmanos que exigiam o preço duplicado por escravos já resgatados, sob ameaça de reconduzi-los em prisão. Tendo-lhe suplicado fervorosamente como Mãe do Bom Remédio, foi por Ela miraculosamente provido.

 Segundo o livro “Invocações da Virgem Maria no Brasil” de Nilza Botelho Megale (3ª. Edição- Ed. Vozes), esta invocação, de sabor tipicamente colonial, era muito popular na velha Lusitânia, principalmente nas cidades de Santarém e Lamego. Foi introduzida em Portugal por religiosos franceses da Ordem da Santíssima Trindade para a redenção dos cativos, que estiveram em Lisboa no início do século XIII.

 No Brasil, Nossa Senhora do Bom Remédio é mais conhecida com o título de “Nossa Senhora dos Remédios”. Os frades Trinitários, com suas Confrarias e os devotos, se empenhavam na difusão de suas devoções específicas e assim trouxeram para o Brasil o culto da Virgem dos Remédios, em honra da qual ergueram capelas em várias províncias do Nordeste (Maranhão, Pernambuco e Bahia) e nas regiões barrocas de Minas Gerais.

 Em Paraty, sua primeira igreja foi edificada em 1646 num terreno doado por Maria Jácome de Melo, sob a condição de que fosse dedicada à invocação de Nossa Senhora dos Remédios, da qual era muito devota. Nos fins do século XVIII foi iniciada outra matriz, ainda hoje inacabada, pois não possui as duas torres, que encerra alfaias e imagens de grande valor, como a antiga efígie da Senhora dos Remédios, considerada milagrosa.

 Em São Paulo, a igreja dos Remédios, com seu frontispício de azulejos e sua história recheada de lendas, estava situada na Praça João Mendes. Era o refúgio dos escravos perseguidos e, nos últimos tempos do Império, o reduto preferido dos abolicionistas. Em 1941 ela foi demolida para o alargamento da praça, conhecida antigamente como Largo dos Remédios.

 Dedicada a Nossa Senhora dos Remédios é também a única igreja existente na ilha de Fernando de Noronha, construída em estilo português em 1737, logo depois da expulsão dos franceses que ali permaneceram durante um ano. Fica perto da sede do governo da Vila dos Remédios.

 

Fonte: Nossa Senhora dos Remédios via Arquidiocese de São Paulo

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